
"Largos milhares de judeus foram sacrificados pela tirania de Hitler e esbulhados dos seus haveres mas graças a Aristides Sousa Mendes conquistaram a liberdade apartir de Bordéus".
Aristides de Sousa Mendes nome português
na "Floresta dos Mártires em Jerusalem"

O governo de Israel foi o primeiro a louvar a memória de Aristides Sousa Mendes, gravando o seu feito no Museu de Yad Vashem, um edifício dedicado a perpetuar a memória das vítimas das perseguições nazis durante a II Guerra Mundial.
Aristides Sousa Mendes, português, natural de Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, teve, ao longo de 30 anos uma brilhante carreira diplomática.

Durante a II Guerra Mundial quando Aristides de Sousa Mendes era consul -geral em Bordéus, surge um dramático contexto social quando as tropas de Hitler invadem a França.
E no verão de 1940 acorrem a Bordéus largos milhares de refugiados judeus procurando escapar ao holocausto. Para os judeus a única salvação para fugir à malvada tirania de Hitler era atingir o outro lado do Atlântico, a América.

Confrontado com esta trágica realidade , Aristides de Sousa Mendes de imediato se solidariza com o povo judeu mas confronta-se com uma tremenda dificuldade: as ordens de Salazar, Primeiro Ministro de Portugal,proibiam o consul de passar vistos aos judeus para sairem de França, decretanto assim a morte de milhares de pessoas às mãos de Hitler.

Salazar para ficar bem aos olhos do mundo agia cinicamente;
(era cumplice e pseudo-aliado de Hitler - e dele recebeu um automóvel blindado topo de gama, guardado no Forte de Peniche e outros favores, bem como toneladas de barras de ouro guardadas no Banco de Portugal e provadas como sendo do ouro roubado ao povo judeu) de braço dado com a Igreja Católica (na sua cumplicidade com Cerejeira de quem fora colega no seminário e depois em Coimbra) misturou os poderes do Estado com os da Igreja e ambos, eles e Cerejeira praticaram inconcebíveis atrocidades. Naturalmente que a Cerejeira, expoente máximo da Igreja em Portugal e feito Cardeal em nada conviria preservar a vida de milhares de judeus, defensores de outros credos, evangelizadores e pregadores da mensagem de Cristo, verdadeira, biblica, que em nada tinha a ver com a doutrina da Igreja onde a própria Biblia era lida em latim, língua morta que ninguém entendia, (e na Bíblia no livro de Mateus, em capítulo 24 e versículo 14, cita "este evangelho será pregado em testemunho a todas as nações...)
Salazar e Cerejeira foram cúmplices ao proibir ao Consul de Bordéus a retirada dos judeus no verão de 1940.
Mas o consul de Bordéus
contrariou Salazar
Aristides de Sousa Mendes via-se assim "entre a espada e a parede". Por um lado era gritante a sua vontade de defender o povo judeu deixando-o partir em direcção à América. Por outro lado sendo embora um diplomata brilhante sabia que contrariando Salazar seria expulso e a sua carreira terminaria ali. Tinha 14 filhos e o dia-a-dia no futuro não lhe seria fácil.
Era a ruina da sua carreira.
Salazar, de Lisboa, decretava a sua firmeza em "manter uma linha oficial de neutralidade e por isso recusava sistematicamente os pedidos de visto enviados pelos consul de Bordéus.
Salazar sabia que a sua determinação implicaria a morte de milhares de pessoas adultas e crianças .

As consequências não tardaram e pouco tempo volvido Lisboa ordenava a instauração de um processo disciplinar ao consul-geral de Portugal em Bordéus. Aristides de Sousa Mendes invocou para sua defesa imperativos humanitários ditados pela sua consciência. Tais conceitos eram mais fortes do que a obrigação de obediência a regulamentos administrativos.
Mas a tirania de Salazar decretou ao diplomata brilhante o afastamento compulsivo do serviço diplomático activo, sujeitando-o a uma pensão de reforma muito baixa desvalorizando o facto de o diplomata ter 14 filhos.
O Tribunal Administrativo e a Assembleia Nacional, às quais apelou, nem sequer lhe responderam.
A situação económica foi ficando cada vez mais débil e o recurso foi a hipoteca das propriedades herdadas. Catorze anos depois, em 1954 Aristides de Sousa Mendes morre, numa situação de extrema pobreza.
A sua memória foi alvo de um expressivo número de homenagens internacionais na sua maioria vinda da comunidade judaica.

Desobedeceu a Salazar consciente de que tal opção iria ser a ruina da sua carreira.
E um dia, à porta do Consulado, Aristides Sousa Mendes, falou assim perante uma multidão de refugiados:
"Sei que a minha mulher concorda com a miha opinião e estou certo de que os meus filhos compreenderão e não me acusarão se , eu for amanhã destituido do meu cargo, por ter agido (contra) ordens que, em meu entender, são injustas. E assim declaro que darei, sem encargos, um visto a quem quer que o peça" .
Foi o testemunho público que comprovou a sua lucidez para a decisão de cumprir as suas convicções morais.
Tal decisão foi, a seu pedido, espalhada por Bordéus. Nos dias seguintes em consequencia disso foram dezenas de milhar de pessoas que obtiveram um visto com a assinatura do consul português.

Na "Floresta dos Mártires", em Jerusalém, foram plantadas 20 árvores com o seu nome. Jerusalem atribiu-lhe uma medalha onde foi escrito:
"A Aristides de Sousa Mendes
o povo judeu agradecido"
No Talmude foi escrita uma citação:
"Quem salva uma vida
salva todo o universo"
Muitas outras homenagens tem vindo a ser prestadas por Israel a título póstumo.

Nos Estados Unidos a Camara de Representantes do Senado aprovarm resoluções em sua honra.
Em Portugal, Aristides de Sousa Mendes viria a ser homenageado somente em 1988 através de uma Lei aprovado por unanimidade pelo Parlamento e que reintegrou o consul-geral de Bordéus a título póstumo, no serviço diplomático e na categoria de embaixador.
Alguns anos depois, em 1995, Mário Soares, então presidente da República, atribuiu-lhe a condecoração da Ordem da Liberdade.
Em Cabanas de Viriato, sua terra natal, surge mais tarde um projecto de criação de uma fundação com o nome da Aristides de Sousa Mendes, curiosamente num espaço que, em tempos foi uma das propriedades do diplomata.

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Parabéns. Continuem
A.C.12.08.09